Olá! Dado que os últimos posts foram todos ligados à moda e assim, neste post decidi escrever sobre algo um pouco diferente: uma review de um livro:
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
Este livro começa por abordar várias histórias diferentes de pessoas que começam a cegar sem motivo aparente, ao avançar no livro o leitor apercebe-se que todas estes casos de cegueira estão interligads uns aos outros e que, todas as vítimas num dado ponto tiveram em contacto com outra vítima, mesmo sem saberem. Esta cegueira branca [ao contrário da cegueira comum que é negra], propaga-se pela população tal como uma pandemia e, pouco a pouco, todos vão sendo contagiados e ficam cegos.
Quando começaram a aparecer os primeiros casos de cegueira e por não se conhecer as razões que levariam a tal, as autoridades são alertadas e o primeiro grupo de cegos é levado para um antigo manicómio com o intuito de lá ficarem em quarentena e, dessa forma, limitar a propagação da cegueira a um grupo limitado de pessoas isoladas. Contudo o plano falha e mais pessoas vão cegando sucessivamente chegando cada vez mais e mais cegos ao manicómio, o que faz com o que este antigo manicómio seja o epicentro do caos instalado.
Por reunir um grupo tão diversificado de pessoas, com as mais variadas origens e convicções, este manicómio representa uma parte da sociedade que Saramago pretende abordar, nenhuma personagem possui nome próprio e, ao mesmo tempo, cada uma reúne características muito singulares sugerindo que, as personagens abordadas serão personagens-tipo.
Quase todas as pessoas acabam cegas, mas há uma mulher que, mesmo dentro do manicómio e em contacto directo com os cegos em quarentena, não manifesta sinais de cegueira, é a única pessoa que não fora atingida pela cegueira, fazendo do seu percurso o principal abordado e tornando-a a personagem principal deste livro, que aborda a sua astúcia e generosidade, a sua inteligência e sabedoria mas, também o seu espírito estratega e justiceiro. No início ela finge-se cega como forma de poder acompanhar e ajudar o seu marido cego na ida para o manicómio. Já instalados no manicómio, e como ela não está cega realmente, a mulher procura dar o menos possível nas vistas sendo muito discreta na forma como interage com os restantes cegos, mas quando um grupo de malvados surge com o intuito de monopolizar a comida distribuída e violar as mulheres como "pagamento" pela comida, esta mulher reúne a coragem necessária e, sendo a única capaz de ver, ela mata o chefe destes malvados com uma tesoura, passando a ser vista como uma líder.
Esta situação insustentável no manicómio: violações, "prostituição" [as mulheres eram obrigadas a vender-se para obterem comida], autocracia [os malvados tentaram monopolizar o poder através da força] e outras culminam num grande incêndio que acaba por matar muita gente, este incêndio é uma forma de ritual de libertação para os cegos da primeira camarata que, guiados pela mulher encontram uma forma de sobreviver dirigindo-se ao apartamento desta e do marido.
A chegada do grupo de cegos ao apartamento da mulher é comparada à chegada dos hebreus à Terra Prometida, pois neste apartamento encontram-se água e comida armazenadas, mas também constitui um lugar calmo e seguro onde os cegos podem repousar. Após permanecerem uns dias neste apartamento os cegos, pouco a pouco vão recuperando a visão e tal como uma pandemia, a cegueira acaba por desaparecer.
Apesar de um pouco complexo, gostei de ler este livro e recomendo-o, pois a comparação desta cegueira branca a um manto de eterna falsa glória e ignorância, conduz a sociedade a situações muito precárias, pois através de situações deste tipo a capacidade de discernimento do Homem vai sendo cada vez mais afectada, perdendo este noção do que é bom e mau e do que é moralmente correcto e incorrecto, intensificando assim a luta pela sobrevivência de cada um em detrimento das vidas perdidas por parte de outros, este livro mostra como a sociedade pode tornar os seres humanos egoístas, ignorantes e hipócritas e como, um pequeno grupo de pessoas [representados pela única mulher que não cega] podem ser uma tábua de salvação guiando a sociedade por tempos difíceis. Toda a precariedade humana e posta de parte e o espírito humano é libertado, neste livro, através de uma catástrofe, um incêndio que pode ser comparado a um ritual de purificação pelo fogo.
É um livro que aborda temas muito actuais e é preciso ter a atenção necessária de ler e reler as linhas mas, também as entre-linhas para ser possível uma compreensão e interpretação crítica da obra.
Recomendo, sobretudo a quem gosta de ler um bom livro com uma mensagem discreta, a quem gosta de uma leitura complexa que aborda vários acontecimentos e várias comparações e metáforas de forma a explicar a sua mensagem.
NOTA: Este resumo e esta intrepertação foram feitos pela autora deste bog, se os quiser usar para qualquer que seja o fim, agradecia que, comunicasse por comentário e utiliza-se os devidos créditos. Esta intrepertação foi feita apenas pela autora do blog e não teve em conta outras interpretações da obra, pelo que, se algo não estiver completamente correcto será devido a divergências de pontos de vista
Bem, aqui ficam a saber a minha opinião interpretação sobre este livro e um pequeno [muito grande] resumo da obra, aconselho vivamente a lerem e se mais alguém leu, opiniões são bem vindas :D
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